“Nada mais sublime do que um lenço catarrento debaixo da goteira”, disse o célebre uropígio italiano Genaro Bambolini. E eu acho que ele tinha razão; porque, pelo que consta na nota fiscal, Bambolini, durante toda a sua vida, nunca tomou chá de pedra-de-fgo. Tanto é que nem cueca ele usava! Jamais se ouviu dizer que ele esfiapasse as meias ou que deixasse de morder o mocotó. O homem era uma sumidade! Bambolini era um “catapóf” no pé-da-oreia!
E o seu “Tratado sobre o Arroto de Cebola”? Fantástico! É uma obra que, para ser entendida, exige muito tino Amato, muito tijolo, muito chouriço, muita cuia de coco, muito girabrequim de furgão, muito lumbago. Não é qualquer sudoríparo que consegue regurgitar tão hipertrófico bócio. Segundo a teoria de Bambolini, foi Ophélia, a esposa do magarefe, que destroncou o pescoço da porca caruncha. Haverá um simpósio em 31 de fevereiro...
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28 de dez. de 2009
Fragmentos VII
Uma observação constante me fez ver que procuramos estribar-nos em nossa auto-suficiência, que nos leva irremediavelmente ao colapso. Presumimos que tudo sabemos, que tudo é suscetível de ser passado pelo crivo do nosso intelecto e moldado à nossa vontade. Mas eis que um dia surgem circunstâncias constrangedoras, momentos em que injunções de uma ou de outra espécie nos tornam desnorteados ante as vicissitudes da vida. Desmorona-se a soberba. A pose, antes tão pomposa e ereta, é agora uma postura...uma impostura manifesta.
Ninguém é nada, exceto o Grande Ser, é auto-suficiente. Neste Universo em que até as galáxias interdependem, é uma besta quadrada aquele que se ufana de bastar-se a si mesmo.
E eu estive pensando (não sei se por sensatez ou pela premência dos fatos adversos) na grandiosidade da vida. Eu estou aqui escrevendo, pois penso. Por que? Não estou indagando tão somente pelo aspecto fisiológico. Eu nasci de meu pai e minha mãe, mas o que hoje constitui o meu corpo eu o sorvi da Natureza. Muitas proteínas que agora animam minha carcaça estavam ontem em um boi, em uma cenoura, em um pé de alface. Por que é que estas substancias, entrando no meu metabolismo, me facultam apreender coisas que exorbitam da esfera de capacidade e um cão, de um cavalo, de um frango. Perante a Lei, como se situa o frango do qual extraí as proteínas que me possibilitam conceber a Divindade, se ele, o frango, não À concebe? Ou concebe?
Ninguém é nada, exceto o Grande Ser, é auto-suficiente. Neste Universo em que até as galáxias interdependem, é uma besta quadrada aquele que se ufana de bastar-se a si mesmo.
E eu estive pensando (não sei se por sensatez ou pela premência dos fatos adversos) na grandiosidade da vida. Eu estou aqui escrevendo, pois penso. Por que? Não estou indagando tão somente pelo aspecto fisiológico. Eu nasci de meu pai e minha mãe, mas o que hoje constitui o meu corpo eu o sorvi da Natureza. Muitas proteínas que agora animam minha carcaça estavam ontem em um boi, em uma cenoura, em um pé de alface. Por que é que estas substancias, entrando no meu metabolismo, me facultam apreender coisas que exorbitam da esfera de capacidade e um cão, de um cavalo, de um frango. Perante a Lei, como se situa o frango do qual extraí as proteínas que me possibilitam conceber a Divindade, se ele, o frango, não À concebe? Ou concebe?
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